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Município do interior do Ceará (Brasil) prova que ainda há tempo de cuidar da água "Sim, o povo tomou a direção da barca... Aprenda homem em navio, aprenda homem na prisão, aprenda a mulher na cozinha, aprenda ancião, você tem que assumir o comando, aprendendo pra ser cidadão". Esses versos cantados pelos grupos teatrais Cervantes do Brasil e Flor do Sol, do município de Icapuí, traduzem um pouco da história de mudança de atitude e desenvolvimento pela qual passa a população e o ecossistema do Município de Icapuí, Ceará – Brasil.
A planície costeira de Icapuí representa um dos mais complexos sistemas ambientais da costa cearense. A cadeia alimentar está diretamente relacionada aos recursos hídricos superficiais e subterrâneos, à produção e dispersão de nutrientes do ecossistema manguezal, às lagoas costeiras, ao banco de algas e à plataforma continental. Localmente, a integração dos componentes geoambientais, ecossistemas e recursos hídricos regula o potencial de biodiversidade que ocorre nas zonas úmidas vinculadas ao canal estuarino Barra Grande, às praias arenosas e rochosas e à plataforma continental adjacente. A coleta de dados sobre os processos geoambientais e sua compreensão são importantes para a elaboração de um modelo de ações integradas, visando a sustentabilidade sócio-econômica e a continuidade das atividades tradicionais de pesca, mariscagem e produção de algas.
O projeto "De Olho na Água", da Fundação Brasil Cidadão, patrocinado pela Petrobras através do Programa Petrobras Ambiental, tem como objetivo a melhoria da qualidade dos sistemas hídricos na planície costeira de Icapuí, a leste do Ceará, visando à recuperação dos ecossistemas marinhos e à melhoria da qualidade de vida das comunidades litorâneas. O Projeto foi o único no Ceará selecionado para a edição 2006 do Programa Petrobras Ambiental e irá beneficiar, por meio de programas de mutirão, as comunidades Barrinha, Ponta Grossa e Requenguela, cujos agentes multiplicadores irão atuar junto a outros grupos etno-sociais de Icapuí. As vantagens dos sistemas de tratamento biológico dos esgotos domiciliares e coleta e armazenagem de águas pluviais com cisternas de ferrocimento são o baixo custo, a fácil apreensão e replicação da tecnologia necessária para a ampliação desses sistemas em todo o município e a preservação dos recursos hídricos na região. Um dos objetivos do programa é a realização de um diagnóstico ambiental, para monitorar as águas, superficial e litorânea, através da aplicação de novas tecnologias de uso racional dos recursos hídricos. A instalação da Estação Ambiental Mangue Pequeno também irá contribuir com o desencadeamento de medidas e ações de monitoramento e recuperação ambiental do Mangue da Barra Grande. Nela, será construído um centro de referência – local de recepção de visitantes e turistas; guarda de equipamentos e apoio técnico dos agentes ambientais, além de espaço para cursos e treinamentos sobre novas tecnologias e gestão da água. Para compor este espaço serão instaladas as passarelas suspensas (para trilhas no local), o observatório da vida marinha e o viveiro de mudas, visando à recuperação da cobertura vegetal de toda a área do mangue. A Estação pretende fazer da comunidade e dos turistas atores fundamentais do processo de conservação e recuperação ambiental, a partir do conhecimento sobre o local. “A melhor maneira de preservar o mangue é fazer com que as pessoas o conheçam”, afirma João Bosco Carbogim, presidente da Fundação Brasil Cidadão.
Com o início da etapa de implantação dos sistemas de tratamento biológico de dejetos domésticos e de captação de águas pluviais, a Fundação Brasil Cidadão promoveu, em abril, a mobilização das três comunidades beneficiárias do Projeto por meio de encontros com as respectivas famílias. Na ocasião, foi apresentada a cartilha, que contém as informações de todas as etapas do Projeto. O evento também promoveu o treinamento da comunidade para o armazenamento da água da chuva e o tratamento biológico de esgotos domésticos. O projeto "De Olho na Água" conta com a parceria estratégica da Fundação Avina, também recebe apoio da Universidade Federal do Ceará, IPEC - Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado, Ibama, Semace, NUTEC, Promosell Comunicação e Prefeitura Municipal de Icapuí.
Fundação Brasil Cidadão e AVINA – Representação Marinho-costeira e Hídrica (RMCH) |
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